GDUCA - Grupo de Diálogo Universidade-Comunidade-Adolescência

Sobre o GDUCA

O GDUCC – Grupo de Diálogo Universidade Cárcere e Comunidade, é um grupo de extensão da FDUSP, idealizado e coordenado pelos professores Alvino Augusto de Sá e Sérgio Salomão Schecaira e que, desde 2006, estuda sobre Criminologia e Cárcere, estabelecendo assim contato direto com internos de alguns presídios da cidade de São Paulo e de Guarulhos, através de encontros semanais fundamentados em um diálogo autêntico e simétrico entre academia e cárcere.

O referido grupo iniciou através do escopo de mitigar os efeitos da prisionização, um conceito forjado por Donald e Clemer e aprofundado em 1980 por Thompson. Segundo os autores, a prisionização é um fenômeno que os sujeitos encarcerados estão submetidos “a começar pela perda do status, ao se transformar, de um momento para o outro, ‘numa figura anônima de um grupo subordinado’ (Sá, 2016, p. 125), bem como a exclusão social por eles experimentados através da promoção do diálogo entre a sociedade, representada pela academia, e o cárcere, pelos prisioneiros.

Sendo assim, o GDUCA (Grupo de Dialogo Universidade Comunidade e Adolescente) surge com o mesmo intuito do grupo original, tendo o foco em adolescentes cumprindo medidas socioeducativas de internação, prevista no artigo 121 e seguintes do ECA. Frise-se que participarão do grupo apenas adolescentes entre 12 e 18 anos, conforme art 2° do ECA.

O ato infracional, ao contrário do propagado pelo senso comum não tem o autor como o único e exclusivo responsável pelo fato, mas também o tecido social e a malha de interações sociais colocando este adolescente em conflito com a lei como um ator situado. Em última e sucinta análise, o ato infracional praticado pelo adolescente é fruto de uma inserção social inadequada. Portanto, não é apenas o indivíduo que deve ser objeto de revisão, senão suas interações e contexto social como um todo.

O litígio deflagrado pelo ato infracional danifica e corrompe essas relações sociais e o GDUCA, através do diálogo vem buscar proporcionar a troca de experiências e ideias entre grupos tão dispares como os menores em conflito com a lei, os acadêmicos e a comunidade, que participará do projeto também, gerando a compreensão entre eles com a consequente reaproximação, restaurando os laços sociais. Nessa vereda, almeja-se que todos sejam acolhidos e sintam-se ouvidos e compreendidos dentro daquele grupo.

Desse modo, Alvino de Sá propõem que o grupo precisa focar sua dinâmica num diálogo que esteja dentro de uma relação de simetria e autenticidade, cooperando para a construção da identidade das pessoas e também para que elas descubram sua identidade. Com isso, trazendo o projeto para a realidade do GDUCA cabe ao grupo como uma unidade a função de gerenciar o processo de conversa reflexiva, profunda, criativa e construtiva entre a parte dos jovens cumprindo medidas sócio educativas de internação, a comunidade, que numa primeira proposta estará representada por outros adolescentes, estudantes de escolas públicas e a universidade representada por estudantes dos cursos de Psicologia, Direito, Serviço Social, Pedagogia e áreas afins.

Almeja-se com isso a criação de um espaço em que os adolescentes sintam-se ouvidos e compreendidos, com o estabelecimento de relações significativas que fomentem um ambiente adequado para pessoas em desenvolvimento, conforme os princípios norteadores do Estatuto da Criança e do Adolescente, sobretudo o Principio da Proteção Integral e do Melhor Interesse do Menor.

 

OBJETIVOS

a) Objetivo Geral

Implementar experiências de diálogo horizontal entre a Universidade, Comunidade e Adolescentes em medida sócio educativa, por meio de atividades que proporcionem uma relação horizontal entre acadêmicos, profissionais, comunidade e adolescentes em conflito com a lei.

 b) Objetivos Específicos

Realizar encontros semanais com dinâmicas que proporcionem a reflexão e consciência crítica.

Promover mútuo conhecimento entre os integrantes.

Reconstruir o diálogo entre diversos segmentos sociais.

Desenvolver o fortalecimento psíquico dos adolescentes em conflito com a lei.

Propiciar formação crítica a todos os envolvidos, por meio do contato com a realidade social.

Minimizar efeitos do estigma nos adolescentes em conflito com a lei e propiciar a expansão de perspectiva futura e possibilidades de reintegração social satisfatória.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O GDUCA representa uma tentativa de, por meio do diálogo, transcender os muros externos e internos que nos separam como sociedade e os centros socioeducativos, prendendo cada ator social num papel específico que impede a concepção geral de igualdade enquanto seres humanos. Ora, a partir do momento em que se cria um rasgo no tecido social, é importante voltar-se a uma abertura existencial da responsabilidade de quem e do que se faz para que tal atos chegam nas proporções de suas existências. Não se trata de meritocracia, caráter ou condições biológicas que levam a criminalidade. É a partir desse espaço de reflexão e de humanização busca-se repensar a percepção de “normalização”, aproximar-se desses adolescentes e reintegrá-los na sociedade, respeitando o sujeito de direitos que são e suas possibilidades de ressignificação de sua existência.

 

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